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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Vou falar-te...

Hoje vou deixar-te palavras de algures do teu ontem porque elas podem ser o teu amanhã...
Não te vou falar com a assistência pronta a aplaudir algo que diga no presente…
Não vou esperar que me respondas no futuro!
Nada que tenhas aprendido no passado…

Vou apenas dizer-te algo.
Apenas algo porque as palavras são vãs e quantas mais usar, menos te digo!

(reeditado)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Preciso querer o que preciso!

Nesta vida em que o querer e o precisar raramente se encontram e no entanto deviam misturar-se em nós, caminhando para um objectivo comum, vamos lutando pelo que queremos e não pelo que precisamos e continuamos a precisar de algo que precisávamos querer!

Por vezes vem a insatisfação do querer que nos limita na realização do precisar por querermos que o nosso querer seja preciso!
Criamos tantos quereres... que não podemos querer tanto e então precisamos de parar de querer o que queremos, para querer o que precisamos.
No entanto, viramos a cara ao que precisamos porque decidimos precisar de algo que queremos, mesmo não o conseguindo nem precisando.
Serão mais as vezes que precisamos do que queremos?
Talvez não! Porque o nosso querer é instável e pouco duradouro por haver sempre algo novo para querer, enquanto que precisamos menos vezes na vida mas durante mais tempo… por vezes toda a vida!
Assim… vamos precisar sempre de algo por querer no momento o que nem precisávamos de querer em momento algum!

Quero sair daqui!
Preciso ficar!

Quero!
Não preciso…

Preciso!
Não quero…

Quero!
Não posso querer…

Preciso!
Preciso querer…

(reeditado)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Liberdade?

Olho-te e tento ver-te.
Não estás em ti assim como tantas outras vezes.
Olhas para mim e procuras um sorriso…
Toma, criei-o agora para ti, mas não me olhes nos olhos! Vê apenas o sorriso porque só ele responde a essa tua procura.
Ouve o silêncio que ele te oferece! Pode dizer-te tudo o que quiseres!
Sei que gostas de palavras para alimentar os teus sonhos mas eu não as tenho para te dar. Houve um tempo em que as tinha em abundância mas um dia ao cruzar-me com a vida, no caminho da esperança, ela roubou-me.
Agora resta-me ficar inerte, em silêncio, a ver-te abrir as asas para te afundares nesse mar de angelical podridão. Escória perfumada que te inebria, ao invadir-te com a sua beleza silábica, como flores que nascem numa valeta onde correm resíduos de vidas de alguém que vai passando cabisbaixo pelo caminho que o conduz à triste segurança dum possível futuro.
Sentindo o cansaço e a dor nos teus pés descalços por tanto pisares a fria calçada da vida, retens-te a olhar todas essas palavras sem tentares encontrar a razão do seu existir.

Assim vais alimentando a tua gula sem te dares conta que definhas com a falta de um toque de realismo, ao ponto de um dia talvez não conseguíres dar mais um passo.

Mas voa! Liberta-te nessa prisão que te faz voar!
Eu vou ficar preso nesta liberdade…

(revisto e reeditado)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O tom da vida...

Um dia saíste à rua...
Calmamente olhaste em teu redor e foste absorvendo todas as cores que ali se cruzavam, misturando-se uma ou outra vez.
Deliciaste-te!
O seu sabor era algo que apenas tinhas imaginado até ao momento e ali, pela primeira vez, conseguias saborear cada uma delas.
Uma... outra... e outra ainda... tantas que ficavas confuso entre qual deverias escolher para provar a seguir.

Então pensaste... "eu também podia produzir algumas cores para alguém se deliciar!"
E seguindo esse pensamento, decidiste meter mãos à obra!
Procuraste nos recantos mais profundos de ti, onde tinhas escondido os tons mais claros que a vida te proibiu de usar, e foste misturando, misturando, misturando até que, achando ter encontrado o tom certo, coloriste o rosto da tua vida e saiste à rua...

Era linda a tua vida!
Todos os dias saias à rua espalhando a tua cor...
Todos os dias eras admirado pelo tom com que vestias a tua vida...
Todos os dias, ao chegar a casa, o despias e pousavas naquele cantinho, para o usar no dia seguinte.
E o teu tom negro, tom verdadeiro, voltava a desenhar o teu sorriso... mas era só até ao dia seguinte. No dia seguinte podias voltar a mostrar a todos como era lindo o tom que tinhas criado.

Um dia pensaste que, de tão belo que era o teu tom, podias partilha-lo com mais alguém e começaste a espalha-lo por todo o lado.
Engano teu pensares que alguém o aceitaria para si... outras vidas preferem outros tons e (quase) tarde percebeste isso.
Mas não desististe e se tinhas conseguido criar aquele tom, com certeza irias conseguir criar muitos outros para poderes colorir mais vidas! Pegaste nas cores que tinhas e juntando um pouco mais de uma, um pouco menos de outra... conseguiste novos tons que, certamente, iriam servir a alguém.

E com um sorriso, ias oferecendo cores a quem passava. Olhavam, sorriam e seguiam...
Ninguém queria as tuas cores! Todos tinham criado cores para si que, tal como tu, despiam em casa.

Sem noção do tempo que tinhas passado a tentar colorir a vida de alguém, a tua cor foi perdendo tom! Foi então que correste para casa apressadamente para não mostrar que a beleza da tua cor tinha sido fabricada por ti, assim como outras que oferecias para colorir outras vidas, e que podia desaparecer com o tempo. Tinhas que voltar a casa e criar mais daquele tom para mostrares no dia seguinte.

Envolto nesse pensamento, não reparaste que havia um buraco na estrada em que seguias com a tua vida e tropeçaste...
Todas as cores, que carregavas, se espalharam em ti, na tua vida, e quando por fim chegaste a casa, olhaste-te ao espelho e viste que todo o teu esforço tinha servido apenas... para manchar a tua vida!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Vida colorida

Sim!!
O arco íris é lindo!!
Mas não passa de uma decomposição…
É preciso saber conseguir as cores e não esperar que elas se mostrem!
É preciso, para além de tudo, conseguir o tom que se deseja…
O vermelho pode ser desejo! Pode ser ódio!
O verde pode ser esperança! Pode ser desgosto!
O azul pode ser calmaria! Pode ser ciúme!

A vida é uma tela, na qual todos dão uma pincelada…
Tu tens a tua tela exposta…

Tal como numa paleta, os tons misturam-se, e por vezes de tal modo que no final não dá para distinguir as cores que o criaram…

Sabes que a minha tela foi-me oferecida de cor negra… profunda!!
Qualquer cor mais brilhante era capaz de lhe dar brilho… mas só mesmo essas!

Hoje dás-me o teu silêncio para eu colorir… esperava que soubesses que o silêncio não adopta cores impostas! Vai tomando o tom do tempo!
Fui sonhador, como sempre, ao pensar que tinhas um branco de paz para me dar… mas sem ele, essas cores vão sendo misturadas um dia depois de outro!
No inicio de qualquer obra prima as cores são as primárias… e do excesso de azul de ciúme misturado com o amarelo de insegurança, resulta um verde perturbante! O vermelho vem indeciso entre que emoção forte deverá tomar partido, perdendo as duvidas, para se juntar às outras…
Quando estas cores se fundem em tons fortes apenas dão origem a um cinza, que de tão escuro que é, mistura-se com o negro da tela sem ser notado… ou aprofundando a negritude!
É assim que qualquer silencio cinza passa insignificante na minha tela negra!
Tons claros no passado davam novos tons a esse silêncio!

Mas que interessa isso tudo se, no teu vermelho profundo, alguém consegue misturar um branco falso, conseguido algures, e te oferece um rosa tão agradável...
...mas que desaparece com as "chuvas" do primeiro temporal que a vida te der!

(reeditado)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Revolta interior

O dia ainda iria demorar algumas horas a nascer, mas mesmo assim, foi nessa altura que fui invadido por uma sensação de desconforto inexplicável.
Tudo à minha volta estava envolto numa escuridão profunda.
De quando em vez, como que anunciando a chegada de um temporal, eram ouvidos fortes ruídos, que anunciavam que uma forte tempestade me iria alcançar sem eu ter como a evitar. Esses ruídos a cada segundo tornavam-se mais audíveis e a minha preocupação crescia…
Estava a tornar-se cada vez mais preocupante!
A certa altura fui invadido por uma pressão insuportável!
O pavor invadiu-me…
Não havia como evitar…
Caminhava rapidamente para o meio da tempestade…

Mas foi então que reuni todas as forças que ainda me restavam e decidi por um fim em tudo!
Acendi a luz e corri rapidamente para o WC!

(revisto e reeditado)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Chegada

Finalmente cheguei!
Abri a porta e olhei em volta...
Estava tudo como antes, como eu já não me lembrava de ver.
A ordem tinha sido expulsa há já algum tempo e levou todas as suas marcas...
Esgotado da viajem deixei-me cair e fui rastejando por entre as sombras projectadas por um ténue luz que entrava por uma janela entreaberta.
A bagunça era tamanha que quase me impedia de continuar...
Mas estava em casa!
Estava dentro de mim...

(reeditado)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Vida (mal) pontuada

Um dia não usaste um ponto final quando devias
hoje os teus pontos de exclamação perdem o sentido
as reticencias perseguem-te a toda a hora
as vírgulas tentam dar-te alguma paz
e as tuas companhias são pontos de interrogação

(reeditado)